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13/05/10

"Boas impressões" Crónica O Jogo de Jorge Maia

Alguém disse que não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. Ora, durante demasiado tempo, Guarín foi vítima da primeira impressão que deixou nos adeptos portistas e na crítica em geral. Aliás, nem sequer foi ele o primeiro jogador do FC Porto a ser vítima do julgamento sumário que quase sempre é dispensado a quem não consegue comer a bola desde o primeiro minuto em que veste a camisola do clube. De resto, não faltam no plantel os exemplos de jogadores que precisaram de uma segunda oportunidade para se afirmarem definitivamente. Bruno Alves, Raul Meireles ou Fernando são tão indiscutíveis hoje como foram descartáveis durante os primeiros tempos na equipa principal. O facto é que nos últimos jogos, depois de ter garantido a titularidade e actuando numa posição onde se sente claramente mais confortável, Guarín fez por merecer uma segunda oportunidade, não para causar uma boa primeira impressão, mas para causar uma boa impressão definitiva.

02/12/09

"Perfeito, perfeito..." - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Zahovic diz que o FC Porto terá de ser perfeito para ganhar em Guimarães. Não iria tão longe, até porque duvido que o FC Porto consiga passar das imperfeições ainda denunciadas no jogo com o Rio Ave para a perfeição exigida pelo esloveno para admitir uma vitória no Afonso Henriques, mas os campeões nacionais terão certamente de ser bem melhores do que nos últimos jogos para baterem os vimaranenses. Terão, por exemplo, de ser mais eficazes no aproveitamento das oportunidades criadas que os colocam no primeiro lugar do ranking das equipas com mais ataques no campeonato. De resto, os portistas também rematam mais do que todos os outros e até o conseguem fazer mais vezes à baliza do que qualquer dos rivais, o que equivale a dizer que o mais difícil já está feito. E com meio caminho andado, falta apenas melhorar a pontaria. Não é exactamente exigir a perfeição, pois não?

27/11/09

"O mágico Deco" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Há cerca de seis anos, fui cobrir um treino de manhã cedo ao Olival. O FC Porto tinha ganho a Taça UEFA há um par de semanas e faltava ainda disputar a Taça de Portugal, mas, como sempre acontece quando a época começa a chegar ao fim, falava-se no interesse de alguns tubarões europeus nos melhores jogadores do plantel portista. Deco era o mais pretendido e os destinos multiplicavam-se nas primeiras páginas dos jornais como se fossem a montra de uma agência de viagens. Nesse dia de manhã, no caminho para o centro de treinos, mesmo antes de virar para o complexo, alguém tinha escrito num muro impossível de ignorar: "Se venderem o Deco, vendem-nos os sonhos". O FC Porto não vendeu Deco nesse ano e no seguinte cumpriu o sonho de voltar a ganhar a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Ontem, o Dragão levantou-se para aplaudir o Mágico. Não tenho a certeza, mas acho que lhe chamam assim por conseguir transformar os sonhos em realidade.

24/11/09

"Lapidação" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Lapidação. A palavra tem mais do que um sentido. Pode lapidar-se um diamante, polindo-o, reduzindo-lhe as imperfeições e aumentando-lhe o brilho. E podem lapidar-se pessoas, apedrejando-as, numa das mais violentas formas de execução conhecidas. Nos últimos tempos, temos tido vários exemplos de lapidações. No final da última temporada, talvez por se ter falado da existência de alguns diamantes em bruto nas duas equipas, houve quem tentasse lapidar a final do campeonato de juniores entre o Benfica e o Sporting. No domingo, lapidaram o autocarro do Guimarães quando este regressava do jogo na Luz. Diz-se que acertaram em cheio na cabeça do D. Afonso Henriques, mas, felizmente, Sua Majestade foi a única vítima do incidente. Mais um. Provavelmente não será o último. Nesta coisa das lapidações, toda a gente tem telhados de vidro, mas nem por isso deixa de atirar pedras ao vizinho. Entretanto, o FC Porto parece ter descoberto um diamante em Sérgio Oliveira. Agora é só uma questão de lapidá-lo.

13/11/09

"Hulk e Quaresma: olha que dois" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Ainda que por linhas tortas, o jornal italiano que ontem os juntou na mesma notícia até escreveu algo bem direitinho: Quaresma e Hulk estão cada vez mais parecidos. Trocar um pelo outro, como sugeria a tal notícia, e mesmo que não passe de um exercício de boataria, ajuda a atrelar a ideia das semelhanças, que já terá circulado pela cabeça de muitos adeptos portistas nos últimos jogos. Aliás, este Hulk mais recente fez com que alguns deles arrancassem os cabelos que tinham sobrado desde a partida de Quaresma. Um e outro são muitos talentosos, ninguém de perfeito juízo duvida, (e devo aqui confessar a minha enormíssima simpatia e tolerância por jogadores assim, de entretenimento puro) mas o sentido prático, é preciso reconhecer, não parece fazer parte da filosofia de nenhum dos dois. Agora que os juntaram na mesma notícia, Quaresma pode servir de lição-choque para Hulk: no futebol actual, jogadores assim, indiferentes aos outros, estão condenados à bancada. E é uma pena que Quaresma tenha passado o último ano sentado, em vez de sentar adversários. Isto quando depois de os sentar cruzava bem, claro.

06/10/09

"Cócegas no nariz " - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Guga partiu o nariz a Tomás Costa. O árbitro Pedro Henriques, que é um homem com h grande como só os há no exército, não marcou nada, que isto do futebol não é coisa de meninas e ele apita à inglesa, com o sotaque dos estivadores das docas de Bristol. Também é verdade que, apesar do lance se ter passado nas barbas do quarto árbitro, este não deu qualquer indicação ao seu chefe de equipa. Faz sentido. O quarto árbitro já não é bem um árbitro. É mais um burocrata, responsável por tarefas tão exigentes como levantar as placas e aconselhar calma aos treinadores quando estes se levantam do banco de suplentes. Agressões e narizes partidos não são com ele. Talvez sejam com a Comissão Disciplinar. Talvez. Ou talvez surja por lá a teoria de que foi o Tomás Costa a dar uma valente narigada no cotovelo de Guga. É coisa para ainda lhe custar uns jogos de castigo só por causa das cócegas. No nariz.

23/09/09

"Castas" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Há quem goste de separar os jornalistas em castas, mantendo os que trabalham em jornais desportivos afastados dos restantes, assim como se fossem "intocáveis", para não lhes macular a superioridade ética e a firmeza deontológica que lhes sustenta o ar grave e afectado com que desdenham o jornalismo que se faz por aqui. Ora, todo este lamentável caso das alegadas escutas em Belém, mais as respectivas notícias alegadamente encomendadas e devidamente plantadas tiveram o condão de quebrar o feitiço, revelando aquilo que, deste lado, sempre soubemos: a seriedade do jornalismo e dos jornalistas não depende do carimbo que lhes colam. Claro que os jornalistas ditos desportivos não falam com assessores do Presidente da República, mas, bem vistas as coisas, talvez seja melhor assim. Quer para os jornalistas desportivos, que evitam passar vergonhas; quer para os assessores do Presidente da República, que se lidassem com jornalistas desportivos talvez ainda o fossem.

29/08/09

"Mês das colheitas" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Sempre gostei de Setembro. Das cores, da temperatura, dos reencontros. Sempre achei que Setembro faz o que pode para nos fazer esquecer o Verão e nos preparar para o Inverno. E é exactamente isso que o próximo mês pode fazer pelo FC Porto. Com um calendário que reserva jogos com o Chelsea, o Atlético de Madrid, o Braga e o Sporting, Setembro representa um desafio complicado, mas as últimas temporadas demonstram que é precisamente em momentos assim que as equipas de Jesualdo Ferreira amadurecem e se superam. Claro que o ideal seria que o mês começasse mais cedo, sem o adiamento imposto pelos compromissos das selecções nacionais que vão deixar Jesualdo sem onze jogadores, sete dos quais habituais titulares, durante as primeiras duas semanas. Mas também há boas notícias reservadas para esse período. Hulk há-de voltar para esse ciclo idealmente mais calmo e concentrado. Rodríguez há-de estar recuperado, se o seu regresso à selecção do Uruguai não significar uma recaída. Falcao, Varela, Belluschi e Álvaro Pereira hão-de estar mais maduros, prontos para os maiores palcos do mundo. E Setembro há-de fazer o que puder para nos fazer esquecer o Verão e preparar o FC Porto para o Inverno.

28/08/09

"Champions" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

A Liga dos Campeões é mais ou menos como um icebergue - e, antes que desatem a escrever os e-mails de ódio, isto não é nenhuma indirecta ao Titanic de Paulo Bento. É só uma metáfora. A ideia é que apenas uma pequena parte da importância que a Liga dos Campeões tem para as finanças de um clube como o FC Porto é perceptível à primeira vista. Claro que há os sete milhões de euros e uns trocos que são garantidos pela participação na fase de Grupos, mais os 800 mil euros que vale cada vitória e os 400 mil euros dos empates, mais os três milhões de uma eventual passagem aos oitavos-de-final, mais os 3,3 milhões dos quartos-de-final, os 4,2 das meias-finais e os 5,5 da final. E ainda há os direitos televisivos que podem render mais uns três milhões depois de a eliminação do Sporting ter deixado o FC Porto sozinho. "Peanuts", digo eu. Mais longe da vista está a promoção dos jogadores garantida pela sua exposição na mais importante montra do futebol mundial. A mesma que permitiu valorizar um jogador como Cissokho 50 vezes em cerca de quatro meses para ser vendido por 15 milhões de euros. É isso que faz da Champions a melhor competição de clubes do Mundo e do FC Porto uma das equipas que melhor a rentabiliza.

27/08/09

"Qualidade garantida" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

As fantásticas exibições de Lisandro López frente ao Anderlecht nos dois jogos do play-off da Liga dos Campeões, os quatro golos que marcou e as assistências que fez, somadas às recuperações e passes que assinou, explicam em larga medida como é que todos os anos o FC Porto consegue fazer milhões de euros em transferências: muito simplesmente porque o tetracampeão nacional não vende gato por lebre. Há cerca de um mês, alguns críticos, em França, consideravam os 24 milhões de euros que o Lyon pagou pelo avançado uma loucura. Ontem, já tinham mudado de ideias e chamavam-lhe pechincha. Da mesma forma como alguns críticos, em Espanha, consideraram os 30 milhões pagos por Pepe uma loucura, apenas para mudarem de ideias no primeiro jogo que o central fez frente ao Barcelona e no qual foi considerado o melhor em campo. Em França, ontem, depois da demonstração de classe de Lisandro, falava-se com ansiedade da recuperação de Lucho González e do seu regresso ao activo no Marselha. A explicação é simples: se foi contratado ao FC Porto, deve ser bom.

26/08/09

"Uma questão de exigência" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Se há uma coisa que separa os adeptos do FC Porto dos restantes, para além dos títulos conquistados nos últimos anos, claro, é o seu incomparável nível de exigência. Imagine-se outro clube qualquer com quatro títulos de campeão consecutivos. Bem sei que não é fácil, mas, já que começámos, imagine-se ainda um desses clubes com quatro participações consecutivas na Liga dos Campeões, sendo que nas últimas três ultrapassando a fase de grupos, e ponha-se-lhe ainda uma Taça de Portugal nas mãos. E acrescente-se, num derradeiro esforço de imaginação, que o mesmo clube conseguia todos os anos vender três ou quatro jogadores realizando várias dezenas de milhões de euros em transferências. Se conseguiu imaginar tudo até ao fim, se não se desconcentrou a meio perante a improbabilidade de semelhante obra de ficção, não deve ter muitos problemas em imaginar o resto: a rendição incondicional dos adeptos, as estátuas erguidas à capacidade dos jogadores, as homenagens prestadas à infalibilidade dos técnicos e as vénias à sagacidade dos dirigentes desse clube. Os adeptos do FC Porto não são assim. Duvidam dos jogadores, questionam os técnicos e criticam os dirigentes. Porquê? Porque não se satisfazem com as migalhas que enchem a barriga aos outros.

25/08/09

"O dia da independência" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

O caudal ofensivo registado pelo FC Porto no jogo com o Nacional da Madeira não deixa de ser particularmente significativo se considerarmos que Jesualdo Ferreira fez alinhar de início um ataque com dois reforços contratados esta temporada e um habitual suplente da última época. Significativo porque desde logo significa um sonoro grito de independência em relação a Hulk, sem o qual, afinal, o FC Porto sobrevive e prospera. Significativo, também, pela evidência de que Varela e Falcao já apreenderam e interpretam os princípios básicos do modelo de jogo do tetracampeão nacional. E significativo ainda pelo potencial de crescimento que encerra um ataque que funciona a este nível quando lhe faltam dois dos seus principais intérpretes, concretamente Hulk - que tem mais um jogo de suspensão para cumprir - e Rodríguez - cujo regresso aos golos está longe de representar um regresso à melhor forma. Certo é que, sem histerismos nem euforias, o FC Porto já tem o melhor ataque do campeonato e não lhe falta potencial para melhorar.

21/07/09

"Prediger com cobertura" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

O reforço ideal é aquele que chega, vê e vence. Sobre isso, estamos todos de acordo. Mas, se calhar, tão bom ou até melhor do que encontrar o reforço ideal será contratar na situação ideal: aquela em que o jogador não tem de chegar, ver e vencer. Imediatamente, bem entendido. Confiando na informação de que Fernando é intocável, porque não há razão nem lógica para desconfiar dela, Prediger, a alternativa desejada e anunciada, chegará numa dessas situações aparentemente ideais. É fácil perceber porquê: Fernando dá-lhe a garantia de uma adaptação pausada, sem pressas, holofotes ou cobranças precipitadas. Em todo o caso, convém que se aprenda alguma coisa com o exemplo Bolatti, também ele escudado pela sombra projectada na altura por Paulo Assunção. O problema é que Bolatti parece ter adormecido nessa sombra, derrotado pela falta de oportunidades e pela incapacidade de as tornar inevitáveis.

15/07/09

"Equilíbrio matemático" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Nunca fui grande coisa a matemática. Aliás, foi essa inépcia para lidar com as abstracções da álgebra que me afastou de uma brilhante carreira como físico nuclear. Ainda hoje, apesar de ter conseguido perceber os fundamentos básicos da matemática - leia-se somar e subtrair - continuo a sentir dificuldades nos exercícios mais complicados, tipo divisões e multiplicações. Ontem, por exemplo, reparei na preocupação de alguns adeptos portistas com o título de um jornal que garantia que o Benfica já joga o dobro e fiquei na dúvida: Joga o dobro de quê? É que, não há assim muito tempo, não faltava quem escrevesse nesse jornal que o Benfica não jogava nada. Ora, a minha matemática não é grande coisa, mas estive a fazer aqui uns rabiscos e, com a ajuda da calculadora, percebi que o dobro de nada é coisa nenhuma. O que me leva a concluir que o jornal errou por defeito: para conseguir ganhar ao Shakhtar, mais do que o dobro, o Benfica deve ter jogado para aí o triplo ou o quádruplo. Pelo menos. Já o FC Porto não deve ter jogado mais do que quatro-quintos do que jogou o ano passado para bater o Tourizense. Ora, com o Benfica a jogar o quádruplo e o FC Porto a jogar quatro-quintos, isto promete ser equilibrado.

09/07/09

"Valorização de activos" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Mais impressionantes do que os 24 milhões de euros arrecadados com a venda de Lisandro e mais significativos do que os 18 milhões de euros conseguidos com a transferência de Lucho são os quase 12 milhões de euros que o FC Porto já conseguiu realizar entre receitas extraordinárias e jogadores excedentários. Juntando-se os três milhões que o Atlético de Madrid vai pagar por Paulo Assunção aos 3,5 milhões garantidos com a venda de Paulo Machado ao Toulouse e acrescentando-lhes os cinco milhões da venda de Ibson ao Spartak, o resultado final é o suficiente para o FC Porto pagar todas as contratações realizadas até ao momento. Por outras palavras, os cerca de 42 milhões de euros realizados com Lucho e Lisandro são "lucro". Claro que o plantel do FC Porto está longe de se poder dar como encerrado. A saída de Lisandro tornou urgente a contratação de mais um avançado, e o meio-campo continua a ter espaço para mais opções, apesar da contratação de Belluschi. Ainda assim, é cada vez mais indiscutível que o FC Porto sabe valorizar os seus activos, mesmo os activos menos evidentes.

08/07/09

"Inseparáveis" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Há coisas que fazem muito mais sentido juntas. Tom e Jerry, Bugs Bunny e Daffy Duck, Bucha e Estica ou Manuel Pinho e Bernardino Soares são alguns exemplos fáceis de duplas inseparáveis. Sozinhos, têm qualquer coisa de trágico, mas basta juntar um ao outro e é impossível conter as gargalhadas. Ora, ao longo dos últimos quatro anos Lucho González e Lisandro López formaram uma dupla inseparável dentro e fora dos relvados, contribuindo decisivamente para o sorriso com que os adeptos portistas terminaram cada uma das épocas do tetracampeonato. Pelo caminho, ainda influenciaram todo o futebol português abrindo as portas para a legião de jogadores argentinos que hoje marca presença nos plantéis dos outros grandes. E é precisamente porque faziam muito mais sentido juntos que a saída de Lucho para o Marselha tornou quase inevitável a transferência de Lisandro para o Lyon. Mas se os adeptos do FC Porto podem lamentar a perda dos integrantes de uma das mais influentes duplas de sempre no clube - mesmo que antes de sair ainda tenham rendido mais 42 milhões de euros -, sempre se podem alegrar pelo facto de os terem visto da única forma que eles fazem sentido: juntos. Afinal, separados têm qualquer coisa de trágico.

23/06/09

"Empréstimos com retorno" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

A política de empréstimos do FC Porto, apesar de criticada, está recheada de histórias de sucesso como a de Mário Bolatti que contámos aqui por baixo. O médio não conseguiu adaptar-se ao futebol português, não tinha espaço no onze titular do tetracampeão nacional e foi emprestado ao Hurácan onde está a fazer uma das melhores temporadas de sempre, a ponto de ser apontado como opção para a selecção orientada por Maradona, recolhendo elogios rasgados de Lucho González entre outros. Ou seja, em seis meses, o FC Porto trocou um jogador abatido e depreciado por outro motivado e valorizado, a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira. Uma troca que pode ser capitalizada de diversas formas: através do regresso ao FC Porto - como aconteceu com outros, como Bruno Alves e Paulo Assunção que também rodaram no estrangeiro antes de se afirmarem definitivamente na equipa - ou através da sua cedência definitiva por valores relevantes - como foram os casos de Hugo Almeida ou Paulo Machado para citar exemplos recentes.

13/05/09

"Tamanho não é documento " - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Há cerca de um ano e meio, aproveitando o frenesim comercial do Natal, alguém se lembrou de fazer um livro apontado direitinho à ingenuidade e à carteira dos benfiquistas chamado "Somos os maiores, mainada". A obra pretendia ser o argumento para acabar com todas as discussões sobre o facto de o Benfica ser o maior clube de Portugal, quiçá do Mundo. Lembrei-me dele ontem, depois de ver que alguns benfiquistas mais fanáticos e, por isso mesmo, mais angustiados com a festa do tetra portista, ainda se agarram ao argumento do tamanho como um náufrago se agarra a uma bóia em alto-mar. Dizem eles que o FC Porto pode festejar o que quiser em Maio que nunca há-de ser tão grande como o Benfica é no resto do ano. Uma reclamação choramingas, como quem insiste: "Somos os maiores, mainada." Não percebem que o problema é mesmo esse, serem os maiores e mais nada. Pelo menos mais nada que se veja, o que talvez justifique os tais objectivos invisíveis que Quique Flores garante ter atingido. Claro que o argumento do tamanho ainda é muito importante, especialmente para gente pequenina e complexada. Por outro lado, como dizia uma rapariga licenciosa que conheci em tempos, mais vale pequenino e trabalhador do que grande e preguiçoso.

10/12/08

"Servir muito frio" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Ouvi dizer um dia destes que a vingança se serve fria. Ora aí está uma frase potencialmente preocupante para os adeptos portistas. Se a vingança se serve fria, o mais provável é que seja um prato de Verão, que venha acompanhada de uma saladinha mista e saiba melhor empurrada por um vinho branco ligeiramente frutado e servido preferencialmente fresco. O problema é que o Verão ainda tarda, e os adeptos do FC Porto não podem esperar. Por outro lado, talvez a expressão tenha origem nos rigores do Inverno. Pensem comigo: se calhar, a vingança serve-se fria porque demora muito a chegar à mesa e arrefece entretanto. Seja como for, esta noite os adeptos do FC Porto não torcerão o nariz a uma generosa dose de vingança, fria, quente ou assim-assim. Aquele sorriso de escárnio e maldizer que Arsène Wenger desenhou na cara durante a goleada em Londres ainda assombra alguns pesadelos, e não há um adepto do FC Porto que não gostasse de ver o francês engoli-lo esta noite.

15/10/08

"A crise revisitada" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Eu gosto de crises. A sério. Acho que são as crises que separam o trigo do joio, os homens das crianças, os povos rijos dos povos choninhas. Tome-se esta última crise como exemplo. Em Portugal ficou tudo como antes. Afinal, nós comemos crises ao pequeno-almoço. A crise é o nosso habitat natural, é na crise que prosperamos. Já os islandeses estão praticamente à beira da extinção por causa da crise. Há racionamento de combustíveis e alimentos naquele que é considerado o país com o mais elevado índice de desenvolvimento humano. Pois. Uns mimados. Até no futebol conseguimos ser pioneiros no que diz respeito a crises. O Boavista, por exemplo, está numa crise profundíssima há um par de anos. Houve um tempo em que os dérbis entre o FC Porto e os axadrezados serviam para decidir campeonatos, hoje servem para o FC Porto rodar alguns jogadores. E no entanto, aposto que os boavisteiros se riem na cara desta crise que ameaça o futebol europeu: comparada com a crise do Boavista, é um passeio na rotunda.