08/11/06

"Banco" Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Durante algum tempo, por força da inexistência de argumentos razoáveis e racionais para justificar o afastamento compulsivo de Vítor Baía da Selecção Nacional, e enquanto o guarda-redes do FC Porto dava o seu contributo para a conquista da Taça UEFA, da Liga dos Campeões e de dois campeonatos nacionais, entre outros títulos menos mediáticos, criou-se uma espécie de mito. Rezavam essas lendas que o guarda-redes portista, por sinal recordista mundial de títulos, pura e simplesmente não podia sentar-se no banco de suplentes sem provocar uma revolução. Bem vistas as coisas, quando anda com aquela barba de três dias, Baía não consegue disfarçar as semelhanças com Fidel Castro e todos sabemos como Scolari é avesso a evoluções, perdão, revoluções. Há uma outra teoria, que fala de uma eventual incapacidade de Ricardo para lidar com a pressão de ter Baía ali mesmo ao pé, pronto para discutir a titularidade em pé de igualdade, mas essa nunca vingou, ninguém sabe exactamente porquê.
Certo é que a última temporada desmontou esse mito de um Vítor Baía incapaz de se sentar no banco de suplentes sem ter um ataque de urticária. Suplente e amigo de Helton, Baía nunca foi o foco de instabilidade para a equipa - nem para o companheiro - que alguns visionários adivinhavam, assumindo a condição de referência de um plantel jovem que abraça a sua experiência. É evidente que Baía não gosta de ser suplente, e é natural que ainda queira jogar, mas a sua importância, no banco como no relvado, é indiscutível.
NEGÓCIOS À PARTE
Tento ajudar os meus companheiros, mas a figura do treinador é soberana
Vítor Baía, guarda-redes do FC Porto

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