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13/11/10

"Conferência sobre mérito, parte I da longa sequela" Crónica O Jogo de Alcides Freire

Podendo parecer contraditório André Villas-Boas tem medo dos elogios e lamenta a falta deles. Estranho? Nem por isso, por um lado fala para dentro, por outro discursa para fora, ao mesmo tempo que reclama pelo mérito que, garante, tem sido tirado ao FC Porto. Neste último ponto, mérito de comunicador, consegue chegar aos dois destinatários. Ou seja, olha desconfiado para a desistência do Benfica na luta pelo título e para o pré-anúncio de campeão após 10 jornadas - convicção geral depois do 5-0 -, franzindo também o olho à falta de frases que juntem mérito, FC Porto, 5-0 e Benfica.
Mas, bem visto, é bom que se habitue ou vai gastar mais conferências de Imprensa a reclamar pelo mérito. Esta semana foi exemplar nesse aspecto: até um pé de Jorge Jesus puseram fora do Benfica, Ramires e Dí Maria foram considerados os piores em campo no Estádio do Dragão e só foi o Benfica que perdeu, nunca o FC Porto que ganhou.

10/11/10

"Confiança ilimitada" Crónica O Jogo de Jorge Maia

Agora que, um pouco por toda a Europa, aparecem artigos a reclamar a descoberta de um novo Mourinho exactamente nas mesmas coordenadas onde, pela primeira vez, se percebeu o génio do Special One, convém dizer que nem toda a gente ficou surpreendida com o sucesso de André Villas-Boas no FC Porto. O Manuel Casaca, companheiro do lado aqui na redacção e amigo pessoal do treinador do FC Porto disse-me, no primeiro dia em que falámos sobre a possibilidade de Villas-Boas suceder a Jesualdo Ferreira, que ele seria campeão no primeiro ano. Disse-o convictamente e sem ironia, o que nem sempre é fácil de descodificar no Casaca. Mas não foi ele o único a pôr a mão no fogo pelo treinador portista, mesmo antes de ele ter passado por todos os testes que esta temporada lhe colocou pela frente. Os responsáveis do FC Porto demonstraram uma confiança semelhante. Foi por isso que lhe ofereceram um contrato de dois anos. Por acreditarem que não era a aposta de risco de que muitos falavam, por saberem que era capaz de recuperar o título já este ano, mas também por lhe reconhecerem a capacidade para liderar um projecto com futuro.

12/11/09

"Hulk faz falta é animar a malta" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Os portistas depositam grandes esperanças nesta presença de Hulk na selecção do Brasil. Há os mais pragmáticos, que fazem esses depósitos em dinheiro, antecipando a valorização do avançado depois de jogar na "canarinha". E há os mais idealistas, que depositam as suas esperanças na motivação do jogador. Esses esperam que Hulk goste da experiência. Que goste tanto que faça questão de a repetir, quem sabe até de a prolongar até ao Mundial da África do Sul. Para conseguir convencer Dunga a levá-lo com ele perante a concorrência de avançados do calibre de Luís Fabiano ou Robinho, entre muitos outros, Hulk terá de ser o melhor Hulk possível no que resta de campeonato e não esta sombra que se tem arrastado pelos campos da Liga Sagres nos últimos tempos. E é precisamente desse Hulk heróico que o FC Porto precisa e que os adeptos mais idealistas do tetracampeão nacional esperam ver regressar ao Dragão no final da próxima semana, para atacar o segundo terço do campeonato.

06/10/09

"Cócegas no nariz " - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Guga partiu o nariz a Tomás Costa. O árbitro Pedro Henriques, que é um homem com h grande como só os há no exército, não marcou nada, que isto do futebol não é coisa de meninas e ele apita à inglesa, com o sotaque dos estivadores das docas de Bristol. Também é verdade que, apesar do lance se ter passado nas barbas do quarto árbitro, este não deu qualquer indicação ao seu chefe de equipa. Faz sentido. O quarto árbitro já não é bem um árbitro. É mais um burocrata, responsável por tarefas tão exigentes como levantar as placas e aconselhar calma aos treinadores quando estes se levantam do banco de suplentes. Agressões e narizes partidos não são com ele. Talvez sejam com a Comissão Disciplinar. Talvez. Ou talvez surja por lá a teoria de que foi o Tomás Costa a dar uma valente narigada no cotovelo de Guga. É coisa para ainda lhe custar uns jogos de castigo só por causa das cócegas. No nariz.

23/09/09

"Castas" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Há quem goste de separar os jornalistas em castas, mantendo os que trabalham em jornais desportivos afastados dos restantes, assim como se fossem "intocáveis", para não lhes macular a superioridade ética e a firmeza deontológica que lhes sustenta o ar grave e afectado com que desdenham o jornalismo que se faz por aqui. Ora, todo este lamentável caso das alegadas escutas em Belém, mais as respectivas notícias alegadamente encomendadas e devidamente plantadas tiveram o condão de quebrar o feitiço, revelando aquilo que, deste lado, sempre soubemos: a seriedade do jornalismo e dos jornalistas não depende do carimbo que lhes colam. Claro que os jornalistas ditos desportivos não falam com assessores do Presidente da República, mas, bem vistas as coisas, talvez seja melhor assim. Quer para os jornalistas desportivos, que evitam passar vergonhas; quer para os assessores do Presidente da República, que se lidassem com jornalistas desportivos talvez ainda o fossem.

29/08/09

"Mês das colheitas" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Sempre gostei de Setembro. Das cores, da temperatura, dos reencontros. Sempre achei que Setembro faz o que pode para nos fazer esquecer o Verão e nos preparar para o Inverno. E é exactamente isso que o próximo mês pode fazer pelo FC Porto. Com um calendário que reserva jogos com o Chelsea, o Atlético de Madrid, o Braga e o Sporting, Setembro representa um desafio complicado, mas as últimas temporadas demonstram que é precisamente em momentos assim que as equipas de Jesualdo Ferreira amadurecem e se superam. Claro que o ideal seria que o mês começasse mais cedo, sem o adiamento imposto pelos compromissos das selecções nacionais que vão deixar Jesualdo sem onze jogadores, sete dos quais habituais titulares, durante as primeiras duas semanas. Mas também há boas notícias reservadas para esse período. Hulk há-de voltar para esse ciclo idealmente mais calmo e concentrado. Rodríguez há-de estar recuperado, se o seu regresso à selecção do Uruguai não significar uma recaída. Falcao, Varela, Belluschi e Álvaro Pereira hão-de estar mais maduros, prontos para os maiores palcos do mundo. E Setembro há-de fazer o que puder para nos fazer esquecer o Verão e preparar o FC Porto para o Inverno.

28/08/09

"Champions" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

A Liga dos Campeões é mais ou menos como um icebergue - e, antes que desatem a escrever os e-mails de ódio, isto não é nenhuma indirecta ao Titanic de Paulo Bento. É só uma metáfora. A ideia é que apenas uma pequena parte da importância que a Liga dos Campeões tem para as finanças de um clube como o FC Porto é perceptível à primeira vista. Claro que há os sete milhões de euros e uns trocos que são garantidos pela participação na fase de Grupos, mais os 800 mil euros que vale cada vitória e os 400 mil euros dos empates, mais os três milhões de uma eventual passagem aos oitavos-de-final, mais os 3,3 milhões dos quartos-de-final, os 4,2 das meias-finais e os 5,5 da final. E ainda há os direitos televisivos que podem render mais uns três milhões depois de a eliminação do Sporting ter deixado o FC Porto sozinho. "Peanuts", digo eu. Mais longe da vista está a promoção dos jogadores garantida pela sua exposição na mais importante montra do futebol mundial. A mesma que permitiu valorizar um jogador como Cissokho 50 vezes em cerca de quatro meses para ser vendido por 15 milhões de euros. É isso que faz da Champions a melhor competição de clubes do Mundo e do FC Porto uma das equipas que melhor a rentabiliza.

27/08/09

"Qualidade garantida" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

As fantásticas exibições de Lisandro López frente ao Anderlecht nos dois jogos do play-off da Liga dos Campeões, os quatro golos que marcou e as assistências que fez, somadas às recuperações e passes que assinou, explicam em larga medida como é que todos os anos o FC Porto consegue fazer milhões de euros em transferências: muito simplesmente porque o tetracampeão nacional não vende gato por lebre. Há cerca de um mês, alguns críticos, em França, consideravam os 24 milhões de euros que o Lyon pagou pelo avançado uma loucura. Ontem, já tinham mudado de ideias e chamavam-lhe pechincha. Da mesma forma como alguns críticos, em Espanha, consideraram os 30 milhões pagos por Pepe uma loucura, apenas para mudarem de ideias no primeiro jogo que o central fez frente ao Barcelona e no qual foi considerado o melhor em campo. Em França, ontem, depois da demonstração de classe de Lisandro, falava-se com ansiedade da recuperação de Lucho González e do seu regresso ao activo no Marselha. A explicação é simples: se foi contratado ao FC Porto, deve ser bom.

26/08/09

"Uma questão de exigência" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Se há uma coisa que separa os adeptos do FC Porto dos restantes, para além dos títulos conquistados nos últimos anos, claro, é o seu incomparável nível de exigência. Imagine-se outro clube qualquer com quatro títulos de campeão consecutivos. Bem sei que não é fácil, mas, já que começámos, imagine-se ainda um desses clubes com quatro participações consecutivas na Liga dos Campeões, sendo que nas últimas três ultrapassando a fase de grupos, e ponha-se-lhe ainda uma Taça de Portugal nas mãos. E acrescente-se, num derradeiro esforço de imaginação, que o mesmo clube conseguia todos os anos vender três ou quatro jogadores realizando várias dezenas de milhões de euros em transferências. Se conseguiu imaginar tudo até ao fim, se não se desconcentrou a meio perante a improbabilidade de semelhante obra de ficção, não deve ter muitos problemas em imaginar o resto: a rendição incondicional dos adeptos, as estátuas erguidas à capacidade dos jogadores, as homenagens prestadas à infalibilidade dos técnicos e as vénias à sagacidade dos dirigentes desse clube. Os adeptos do FC Porto não são assim. Duvidam dos jogadores, questionam os técnicos e criticam os dirigentes. Porquê? Porque não se satisfazem com as migalhas que enchem a barriga aos outros.

25/08/09

"O dia da independência" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

O caudal ofensivo registado pelo FC Porto no jogo com o Nacional da Madeira não deixa de ser particularmente significativo se considerarmos que Jesualdo Ferreira fez alinhar de início um ataque com dois reforços contratados esta temporada e um habitual suplente da última época. Significativo porque desde logo significa um sonoro grito de independência em relação a Hulk, sem o qual, afinal, o FC Porto sobrevive e prospera. Significativo, também, pela evidência de que Varela e Falcao já apreenderam e interpretam os princípios básicos do modelo de jogo do tetracampeão nacional. E significativo ainda pelo potencial de crescimento que encerra um ataque que funciona a este nível quando lhe faltam dois dos seus principais intérpretes, concretamente Hulk - que tem mais um jogo de suspensão para cumprir - e Rodríguez - cujo regresso aos golos está longe de representar um regresso à melhor forma. Certo é que, sem histerismos nem euforias, o FC Porto já tem o melhor ataque do campeonato e não lhe falta potencial para melhorar.

09/07/09

"Valorização de activos" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Mais impressionantes do que os 24 milhões de euros arrecadados com a venda de Lisandro e mais significativos do que os 18 milhões de euros conseguidos com a transferência de Lucho são os quase 12 milhões de euros que o FC Porto já conseguiu realizar entre receitas extraordinárias e jogadores excedentários. Juntando-se os três milhões que o Atlético de Madrid vai pagar por Paulo Assunção aos 3,5 milhões garantidos com a venda de Paulo Machado ao Toulouse e acrescentando-lhes os cinco milhões da venda de Ibson ao Spartak, o resultado final é o suficiente para o FC Porto pagar todas as contratações realizadas até ao momento. Por outras palavras, os cerca de 42 milhões de euros realizados com Lucho e Lisandro são "lucro". Claro que o plantel do FC Porto está longe de se poder dar como encerrado. A saída de Lisandro tornou urgente a contratação de mais um avançado, e o meio-campo continua a ter espaço para mais opções, apesar da contratação de Belluschi. Ainda assim, é cada vez mais indiscutível que o FC Porto sabe valorizar os seus activos, mesmo os activos menos evidentes.

23/06/09

"Empréstimos com retorno" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

A política de empréstimos do FC Porto, apesar de criticada, está recheada de histórias de sucesso como a de Mário Bolatti que contámos aqui por baixo. O médio não conseguiu adaptar-se ao futebol português, não tinha espaço no onze titular do tetracampeão nacional e foi emprestado ao Hurácan onde está a fazer uma das melhores temporadas de sempre, a ponto de ser apontado como opção para a selecção orientada por Maradona, recolhendo elogios rasgados de Lucho González entre outros. Ou seja, em seis meses, o FC Porto trocou um jogador abatido e depreciado por outro motivado e valorizado, a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira. Uma troca que pode ser capitalizada de diversas formas: através do regresso ao FC Porto - como aconteceu com outros, como Bruno Alves e Paulo Assunção que também rodaram no estrangeiro antes de se afirmarem definitivamente na equipa - ou através da sua cedência definitiva por valores relevantes - como foram os casos de Hugo Almeida ou Paulo Machado para citar exemplos recentes.

14/05/09

"O enredo de uma boa notícia " - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Defeso após defeso, acentua-se uma certeza: a notícia já não é suficiente, exige-se um enredo. Um exemplo: Jesus estará a caminho do Benfica - a notícia - mas não sem antes tocar de raspão no FC Porto - o enredo. Perfeito, por sinal, nem que para isso seja preciso dar umas voltas ao texto. Na verdade, bem vistas as coisas, Jesus até é irrelevante. Salvo seja. Ele que me perdoe, porque aparece aqui como personagem secundaríssimo, à boleia de reforço ao tal princípio: a notícia já não é suficiente, exige-se um enredo. E pode ser batido, porque há histórias que não cansam, mesmo que repitam fórmulas antigas, mas supostamente infalíveis. Assim que abre a época de caça, mais ou menos por esta altura, é certo e sabido que o alvo de um há-de ser resgastado às garras de outro. Se um e outro forem FC Porto e Benfica, tanto melhor.

13/05/09

"Tamanho não é documento " - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Há cerca de um ano e meio, aproveitando o frenesim comercial do Natal, alguém se lembrou de fazer um livro apontado direitinho à ingenuidade e à carteira dos benfiquistas chamado "Somos os maiores, mainada". A obra pretendia ser o argumento para acabar com todas as discussões sobre o facto de o Benfica ser o maior clube de Portugal, quiçá do Mundo. Lembrei-me dele ontem, depois de ver que alguns benfiquistas mais fanáticos e, por isso mesmo, mais angustiados com a festa do tetra portista, ainda se agarram ao argumento do tamanho como um náufrago se agarra a uma bóia em alto-mar. Dizem eles que o FC Porto pode festejar o que quiser em Maio que nunca há-de ser tão grande como o Benfica é no resto do ano. Uma reclamação choramingas, como quem insiste: "Somos os maiores, mainada." Não percebem que o problema é mesmo esse, serem os maiores e mais nada. Pelo menos mais nada que se veja, o que talvez justifique os tais objectivos invisíveis que Quique Flores garante ter atingido. Claro que o argumento do tamanho ainda é muito importante, especialmente para gente pequenina e complexada. Por outro lado, como dizia uma rapariga licenciosa que conheci em tempos, mais vale pequenino e trabalhador do que grande e preguiçoso.

06/04/09

"Tem o celular do Hulk?" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Ferguson não percebe como é que Hulk ainda não entrou nas escolhas de Dunga. Também me custa a perceber, mas a opinião de Ferguson é capaz de ser um bocadinho mais relevante do que a minha. É verdade que Dunga, que tem a difícil tarefa de peneirar os inesgotáveis talentos no Brasil, já disse que anda de olho no portista. Anda ele, os olheiros e os treinadores de meia Europa. Aliás, posso até acrescentar mais alguns interessados: nos últimos tempos, desde que Dunga falou a O JOGO, é rara a semana em que não me chega, de jornalistas brasileiros, a pergunta do costume - "Você tem o celular do Hulk?" Confessam o interesse, mas desesperam e desanimam com a dificuldade do contacto. Perguntam se Hulk é vedeta e se é por isso que não aceita falar. Do que conheço, garanto-lhes que ele até parece bastante acessível. Mas que não, não tenho "o celular". E não há outra forma, porque, no plantel portista, só Helton aderiu às novas tecnologias e investiu numa página pessoal. Muito fraquinha e desactualizada por sinal. Resta a Hulk continuar com o básico: apostar tudo nas respostas que vai dando no relvado. O de Manchester é bem mediático...

27/03/09

"Hulk deu crédito a todas as ficções" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Imaginem que não sabiam o que sabem hoje e que, há um ano, por esta mesma altura, um qualquer jornal japonês bem informado escrevia o seguinte: "O FC Porto está interessado no brasileiro Givanildo, o Hulk, fenómeno da II divisão". Mesmo descontando a coincidência de haver Hulk pelo meio, a verdade é que a coisa pareceria ficção, certo? Iria lá o FC Porto interessar-se por um desconhecido, com nome de banda desenhada e destaque de uma obscura II divisão japonesa? Aliás, chegou a parecer ficção mesmo quando se confirmou. Isto serve para explicar que este ano será mais difícil filtrar o que é ou não ficção entre as dezenas de nomes atirados todos os dias para a praça pública. De repente, depois de Hulk, tudo passou a fazer sentido. Um húngaro da II Divisão espanhola? Com certeza. Um nigeriano goleador na Lapónia? Nunca se sabe, nunca se sabe. Agora a sério: acredito que haverá menos pudor nos tiros de mercado, ou na filtragem que é feita, e o mais certo é que os nomes se multipliquem. Veja-se o que deu Hulk...

26/03/09

"Filmes" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

O assunto ganhou ontem um dado novo, mas há já algumas semanas que O JOGO procura uma justificação para o atraso junto de quem o podia explicar. Oficialmente, nada feito. Como sempre acontece quando há um silêncio sobre coisas que até podem ser simples, ouve-se uma coisa daqui, outra dali, e o assunto, que até nem o parecia ser, vai enrolando, enrolando, até se transformar uma gigantesca bola de neve. Assim, enquanto não chega a explicação formal, talvez falte catalogar esta história da taça que ainda não foi entregue ao FC Porto num género, como nos filmes: drama, comédia ou ficção científica? Exploremos as duas últimas hipóteses. Via cómica: a Liga espera pelo desfecho deste campeonato para ver se terá de juntar mais uma, ao jeito das promoções do leve já duas, e resolve o assunto. Via ficção científica: está tudo a ver se o troféu ganha pernas ou asas e segue o destino. No fundo, no fundo, vai tudo dar ao mesmo: um filme.

Confiram no site do jornal O Jogo a notícia do dia: afianl a Taça do campeonato 2007-2008 ainda não foi entregue ao Campeão...

28/01/09

"Tecnologia a cores" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Havendo apenas uma vaga directa na Liga dos Campeões, não era preciso ser um génio para perceber que este ano a arbitragem seria ainda mais comentada do que o costume. Os protestos, os silêncios ou as análises lúcidas têm sido salomonicamente distribuídas em razão directa dos benefícios ou prejuízos na jornada anterior. Não foi sempre assim? Já aprendemos há muito que uma arbitragem que corre bem é - e será quase sempre - uma arbitragem que corre mal a alguém. Agora, para dar uma roupagem moderna à coisa, lançou-se a febre da tecnologia como via messiânica para aliviar a, salvo seja, mais velha profissão do mundo a gerar protestos. Abençoada ingenuidade. Na dúvida, mesmo com sofisticadas imagens de todos os ângulos e feitios, é muito difícil convencer um adepto ferrenho de que "aquilo" era mesmo penálti; ou mão; ou fora-de-jogo. Ele replicará sempre com "a intensidade do toque", com "a bola na mão e não mão na bola", e jurará que o jogador estava "em linha", nem que a trace aos ziguezagues sobre a imagem parada. Com mais ou menos folclore, arbitragem é isto: uma questão que não se resolve.

10/12/08

"Servir muito frio" - Crónica d'O Jogo de Jorge Maia

Ouvi dizer um dia destes que a vingança se serve fria. Ora aí está uma frase potencialmente preocupante para os adeptos portistas. Se a vingança se serve fria, o mais provável é que seja um prato de Verão, que venha acompanhada de uma saladinha mista e saiba melhor empurrada por um vinho branco ligeiramente frutado e servido preferencialmente fresco. O problema é que o Verão ainda tarda, e os adeptos do FC Porto não podem esperar. Por outro lado, talvez a expressão tenha origem nos rigores do Inverno. Pensem comigo: se calhar, a vingança serve-se fria porque demora muito a chegar à mesa e arrefece entretanto. Seja como for, esta noite os adeptos do FC Porto não torcerão o nariz a uma generosa dose de vingança, fria, quente ou assim-assim. Aquele sorriso de escárnio e maldizer que Arsène Wenger desenhou na cara durante a goleada em Londres ainda assombra alguns pesadelos, e não há um adepto do FC Porto que não gostasse de ver o francês engoli-lo esta noite.

05/12/08

"Contra factos também há argumentos" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

O rendimento de Lucho tem sido irregular, diz a maioria dos leitores que participaram no inquérito online de O JOGO. Perguntou-se o mesmo a Jesualdo Ferreira e não se estava à espera que ele concordasse, porque, como é óbvio, não lhe compete sublinhar o lado lunar das coisas. Seja no caso de Lucho, no das bolas paradas ou na inconsistência defensiva. Jesualdo fez o que devia: rebateu essas questões, uma a uma, carregando nas atenuantes. Lucho não está pior, está, isso sim, a jogar de forma diferente - e foi pena que não a tenha explicado melhor para percebermos a diferença; sofrer cinco golos de bola parada, de um total de 18, não é um mau sintoma, porque dois deles foram de penálti; e a apregoada inconsistência defensiva não é mais do que um mero reflexo das mexidas no sector. Nada contra estes argumentos, que são válidos. Todos. Mas, repare-se na ironia das coisas: sublinhar as atenuantes é também uma forma de reconhecer os factos que estiveram na origem das perguntas e dos trabalhos que foram sendo publicados...