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06/12/09

"Varela: de Julho a Dezembro com Hulk pelo meio" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Em Julho escrevi isto: "Varela desequilibra, assiste e marca. Já o tínhamos visto desequilibrar, assistir e marcar na época passada e se calhar é por isso que, apesar das atenções que pontualmente desperta, não está ainda coberto pelos superlativos reservados aos reforços, sobretudo aos que aterram cá pela primeira vez. Nestes, por norma, tudo é novo e apresentado de forma exclamativa: Ele anda! Ele corre! Ele sabe o que é uma bola! Varela - um reforço baratinho, ainda por cima - tem crescido à sombra de uma atenção moderada". Agora, em Dezembro, acrescento: a atenção foi crescendo de Julho para cá, apesar da lesão, e Guimarães confirmou-o como alternativa sólida. Mas, cuidado: ainda que a comparação seja inevitável e tentadora, seria um erro valorizar Varela com a intenção única de desvalorizar Hulk. Anda por aí muita gente tentada a fazê-lo, e é uma pena. Para ambos.

28/11/09

"Uns e outros" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

No ano passado, mais ou menos por esta altura, e antes de um jogo europeu, Jesualdo Ferreira foi confrontado com uma evidência da ocasião: o rendimento de Lucho estava longe de dar nas vistas. Explicou Jesualdo, e o tempo veio a dar-lhe razão, que há posições específicas (ou jogadores específicos) em que é preciso ver a coisa com outros olhos. Ou abrir-los noutro sentido, se preferirmos. Aliás, muitos portistas não desdenhariam ter esse "mau" Lucho agora. Adiante. Já este ano, tem sido evidente para todos que Raul Meireles, por exemplo, não anda - ou não andava? - bem e isso nunca lhe beliscou a titularidade. Lá está, posições e jogadores específicos. Nada contra. Contudo, considerando que o rendimento abaixo do esperado atirou Hulk para o banco, não deixa de ser curioso sublinhar a diferença. Não digo diferença de tratamento, ainda que a ideia possa passar pela cabeça de alguns jogadores, mas diferença na avaliação às alternativas do plantel e/ou ao peso de algumas peças no onze. No fundo, isto tudo para dizer uma coisa muito simples: tem sido mais fácil dar lições a uns do que a outros (ou, para não ferir susceptibilidades, tem sido mais fácil prescindir de uns do que de outros...).

19/11/09

"Quente, frio ou descalço: o pé está lá" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Depois de tanto debatermos a temperatura dos pés de Carlos Queiroz - pé frio durante meses e pé quente na parte final, considerando o alinhamento dos astros para uma combinação quase improvável de resultados que nos devolveu à rota do Mundial, via play-off - podemos respirar de alívio e deixar os calmantes na gaveta. Por enquanto. Mas, ou esta Selecção, que foi pouco convincente na fase de apuramento, atina ou, mais do que pé quente ou frio, estaremos condenados ao papel de pé descalço na África do Sul. E seria uma pena. Há dias, passei os olhos por uma declaração de Terry Butcher, ex-capitão da selecção inglesa, e sabia que, algum dia, ser-me-ia útil citá-la. É hoje. "Fora do relvado, sempre fui um tipo vulgar, de modos suaves. Mas quando vestia o equipamento de futebol, era como se fosse um capacete de aço e uma baioneta. Morte ou glória", disse, e nem devia estar a exagerar. Convém que os jogadores portugueses não se inspirem no contrário: usar capacete e baioneta para responder às críticas com birras, apostando na suavidade... dentro de campo. Para já, siga a festa.

18/11/09

"Porta aberta" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Omã serviu apenas para o Brasil desenferrujar, devagarinho. Neste contexto de desinteresse natural, num amigável que não contava para nada, seria sempre difícil a Hulk ganhar grande protagonismo, sobretudo tendo sido lançado na parte do jogo em que Dunga apostou nos estreantes. Estes, evidentemente, tinham mais o que fazer do que apontar holofotes a outros quando eles próprios não têm lugar garantido. É a lei da sobrevivência numa selva de opções que o Brasil cultiva em cada esquina. Aparentemente, Hulk percebeu esse jogo do cada um por si, e até esteve perto de o ganhar quando apostou naquilo que vai irritando muita gente por cá: disparou sozinho para a baliza como uma flecha. Não deu golo, e isso é capaz de dar argumentos aos tais que se irritam, mas percebeu-se que Dunga gostou; também não chegou para manchestes no Brasil, mas garantiu-lhe, pelo menos, umas linhas em nome próprio. Agora que o mais difícil está feito, que abriu a primeira porta, cabe-lhe continuar a forçar a entrada com um rendimento que não passe despercebido no FC Porto, já com uma atenção diferente do outro lado do Atlântico. Talvez Kaká lhe possa servir de inspiração: ontem, o médio lembrou que só entrou nos planos de Scolari, no Mundial de 2002, por causa de seis meses de rendimento fantástico antes das escolhas. Não dava para ignorar.

17/11/09

"Tem a palavra" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Era previsível: à falta de jogos, por causa da paragem ditada pelas selecções, as críticas espremidas depois da exibição do FC Porto na Madeira acabaram por se esticar no prazo de validade. Entre análises, opiniões e até notícias, estes têm sido dias cheios. Tão cheios que, noutros tempos não muito distantes, chegavam e sobravam para forrar as paredes do balneário portista, espicaçando uma reacção convincente. Posso estar enganado, mas aposto algumas fichas na próxima conferência de Jesualdo Ferreira. Adiante. Não deixa de ser curioso, pelo menos para mim, recordar e assinalar este lado estratégico da comunicação, sublinhando a palavra, ou a habilidade de comunicar, no mínimo, como arma privilegiada. Aliás, neste contexto, tem sido uma delícia mastigar o discurso do seleccionador bósnio, Miroslav Blazevic, no incansável exercício de desmoralizar o adversário. As palavras não matam, mas moem. Acredita ele, e eu também.

14/05/09

"O enredo de uma boa notícia " - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Defeso após defeso, acentua-se uma certeza: a notícia já não é suficiente, exige-se um enredo. Um exemplo: Jesus estará a caminho do Benfica - a notícia - mas não sem antes tocar de raspão no FC Porto - o enredo. Perfeito, por sinal, nem que para isso seja preciso dar umas voltas ao texto. Na verdade, bem vistas as coisas, Jesus até é irrelevante. Salvo seja. Ele que me perdoe, porque aparece aqui como personagem secundaríssimo, à boleia de reforço ao tal princípio: a notícia já não é suficiente, exige-se um enredo. E pode ser batido, porque há histórias que não cansam, mesmo que repitam fórmulas antigas, mas supostamente infalíveis. Assim que abre a época de caça, mais ou menos por esta altura, é certo e sabido que o alvo de um há-de ser resgastado às garras de outro. Se um e outro forem FC Porto e Benfica, tanto melhor.

28/01/09

"Tecnologia a cores" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Havendo apenas uma vaga directa na Liga dos Campeões, não era preciso ser um génio para perceber que este ano a arbitragem seria ainda mais comentada do que o costume. Os protestos, os silêncios ou as análises lúcidas têm sido salomonicamente distribuídas em razão directa dos benefícios ou prejuízos na jornada anterior. Não foi sempre assim? Já aprendemos há muito que uma arbitragem que corre bem é - e será quase sempre - uma arbitragem que corre mal a alguém. Agora, para dar uma roupagem moderna à coisa, lançou-se a febre da tecnologia como via messiânica para aliviar a, salvo seja, mais velha profissão do mundo a gerar protestos. Abençoada ingenuidade. Na dúvida, mesmo com sofisticadas imagens de todos os ângulos e feitios, é muito difícil convencer um adepto ferrenho de que "aquilo" era mesmo penálti; ou mão; ou fora-de-jogo. Ele replicará sempre com "a intensidade do toque", com "a bola na mão e não mão na bola", e jurará que o jogador estava "em linha", nem que a trace aos ziguezagues sobre a imagem parada. Com mais ou menos folclore, arbitragem é isto: uma questão que não se resolve.

05/12/08

"Contra factos também há argumentos" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

O rendimento de Lucho tem sido irregular, diz a maioria dos leitores que participaram no inquérito online de O JOGO. Perguntou-se o mesmo a Jesualdo Ferreira e não se estava à espera que ele concordasse, porque, como é óbvio, não lhe compete sublinhar o lado lunar das coisas. Seja no caso de Lucho, no das bolas paradas ou na inconsistência defensiva. Jesualdo fez o que devia: rebateu essas questões, uma a uma, carregando nas atenuantes. Lucho não está pior, está, isso sim, a jogar de forma diferente - e foi pena que não a tenha explicado melhor para percebermos a diferença; sofrer cinco golos de bola parada, de um total de 18, não é um mau sintoma, porque dois deles foram de penálti; e a apregoada inconsistência defensiva não é mais do que um mero reflexo das mexidas no sector. Nada contra estes argumentos, que são válidos. Todos. Mas, repare-se na ironia das coisas: sublinhar as atenuantes é também uma forma de reconhecer os factos que estiveram na origem das perguntas e dos trabalhos que foram sendo publicados...

09/10/08

"Uma tonelada sobre os ombros de Licha" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Numa primeira espreitadela, não há nada de especial no que disse o empresário de Lisandro. O jogador quer ser aumentado para renovar, não gostou da proposta que lhe foi feita e ainda não houve acordo. Até aqui, como qualquer trabalhador concordará, tudo bem. O verdadeiro problema está nas entrelinhas. Com estas declarações, mesmo que legítimas na defesa de quem representa, o empresário Fernando Hidalgo coloca uma tonelada de desconfianças sobre os ombros de Lisandro. Cada golo que falhe ou aqueles que não comemore de forma entusiasmada, como aconteceu em Alvalade, acabarão por ser interpretados como reflexos de descontentamento. É sagradinho. Aliás, sem novidades frescas, o assunto só voltou a ser assunto por causa da aparente indiferença nos festejos de Licha depois do golo marcado ao Sporting, a que o empresário juntou ontem o devido conteúdo noticioso. É uma jogada arriscada, sobretudo num contexto salvaguardado por um contrato até 2011.

11/09/08

"Uma nova definição de reforço" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

Já se desconfiava que os reforços deste ano eram melhores e já se tinha percebido que a conjuntura de uma equipa em reconstrução os favoreceu, mas, escarafunchando o tema, e comparando um ano com o outro, ainda é possível desenterrar surpresas. Por exemplo: não é que foi Edgar o primeiro reforço da última época a garantir a titularidade? Conseguiu-o em Paços de Ferreira, à quinta jornada do campeonato e ao sétimo jogo oficial da época. Uma vez sem repetição e com guia de marcha em Janeiro, é certo. Jesualdo lembrou, e bem, que a equipa estava montada, justificando assim a escassa utilização dos reforços da última temporada. Mas não chega. Alguns eram mesmo fraquinhos. Este ano, sete dos oito reforços disponíveis já foram titulares - isso mesmo: titulares -, com apenas três jogos oficiais. Só faltou Hulk, que até tem um golo. Moral da história: a conjuntura pode até ajuda, mas os reforços também...

05/09/08

"O chá das cinco dos treinadores, em Nyon" - Crónica d'O Jogo de Hugo Sousa

A UEFA convocou outra vez a elite dos treinadores para um chá das cinco. Enfiou-os numa sala e fechou as portas, como é costume. Hoje abre-as para divulgar as conclusões. As minhas seguem por antecipação: é pena que um debate assim se perca entre quatro paredes, resumindo-se, depois, a um encontro de amigos. Mais do que o futebol, este Fórum limita-se a promover a própria UEFA, numa publicidade, ainda por cima, vazia. No fundo, acaba por ser um desperdício. Não convence ninguém a ideia de que os treinadores estão ali para partilhar segredos estratégicos, capazes de servirem de alavanca a novas considerações ou a mudanças estruturantes no futebol. Estou mesmo a vê-los de caderninho a apontar as sugestões de uns e outros. Mas, mesmo assim, valeria a pena abrir as portas só para espreitar o jogo de cadeira dos treinadores. Afinal, a maior parte deles trabalha à porta fechada e Mourinho, quando foi obrigado a explicar-se aos adeptos do Inter, disse que o fazia para não dar trunfos aos adversários. Não é numa sala da UEFA que os dará, seguramente.